
O circo sai da lona, ganha o espaço público e transforma uma tarde comum em uma experiência de riso e encontro em Sete Lagoas. No dia 31 de outubro, a cidade recebe, pela primeira vez, o projeto "Hoje é Dia de Circo", que reúne uma vivência circense para crianças e o espetáculo "LaMínima ao Máximo", da companhia paulista LaMínima. Com programação gratuita e aberta a todas as idades, as atividades acontecem no Centro Cultural Nhô-Quim Drummond (Casarão), a partir das 14h.
A programação começa pela vivência, coordenada pela Uai Circo, um espaço de formação e difusão da arte circense em Belo Horizonte. Em um circuito especialmente pensado para a experimentação, crianças poderão conhecer e praticar modalidades como malabarismo, acrobacia e equilíbrio, entrando em contato de maneira lúdica com técnicas e possibilidades do universo do circo.
Às 16h, acontece a apresentação do espetáculo "LaMínima ao Máximo", que reúne alguns dos números mais marcantes dos 27 anos de trajetória da companhia LaMínima. Acrobacia cômica, entradas de palhaços, dança, malabarismo e música excêntrica se encontram em uma montagem que recupera a tradição da palhaçaria e, ao mesmo tempo, reafirma sua capacidade de dialogar diretamente com o público contemporâneo. "A LaMínima sempre alimentou o desejo de realizar um espetáculo que reunisse o melhor do que já produziu", explica Fernanda Vidigal, idealizadora e coordenadora do projeto.
O resultado é um repertório que revisita números presentes em trabalhos como "Reprise" e "Circo Charanga", remontando cenas que se tornaram referências no percurso do grupo. Com Fernando Sampaio, Teresa Gontijo e Filipe Bregantim no elenco, "LaMínima ao Máximo" aposta na palhaçaria clássica e numa dramaturgia construída a partir da comunicação direta com o público. São 50 minutos de espetáculo conduzido por humor, música, corpo e acrobacia, celebrando o encontro e reproduzindo experiências que acompanham a companhia nas ruas, nos palcos e nos picadeiros.
Para Fernanda Vidigal, levar essa programação a cidades do interior é também uma forma de ampliar o acesso à produção circense. "A circulação do projeto 'Hoje é Dia de Circo' por Minas Gerais atua como poderosa ferramenta de democratização cultural. Ao oferecer programação totalmente gratuita em espaços públicos, rompemos barreiras socioeconômicas e transformamos praças em palcos de encontro social", afirma.
A proposta não se limita à apresentação de um espetáculo. A vivência circense coloca o público infantil em contato direto com a linguagem e estimula a experimentação. "A experiência vai além de assistir, proporcionando um momento lúdico e inusitado e estimulando o desenvolvimento corporal e a autoconfiança das crianças na prática", destaca Fernanda.
O projeto integra, assim, duas dimensões, como reforça sua coordenadora. De um lado, um espetáculo conduzido por uma companhia com trajetória consolidada na pesquisa e na prática da palhaçaria; de outro, um espaço para que as crianças possam descobrir, com o próprio corpo, alguns dos fundamentos dessa arte. "A estrutura conta com um circuito de modalidades circenses com acrobacias, equilíbrio, malabarismos, entre outros, além da apresentação de um espetáculo de um dos mais importantes grupos de circo do Brasil", explica.
A escolha dos espaços públicos também se alinha à própria história do circo, que, muito antes de ocupar teatros e grandes palcos, construiu sua relação com o público em ruas, praças e espaços de convivência. Para Fernanda, essa capacidade de se adaptar aos lugares é parte da permanência da arte circense no imaginário coletivo. "Hoje, a presença do circo nas cidades se manifesta de formas diferentes e igualmente potentes. A clássica lona ainda existe e carrega um forte poder nostálgico, mas a dinâmica dessa arte também sofreu alterações, ocupando espaços urbanos como praças e parques, além de teatros e ambientes alternativos. Essa reinvenção garante que o circo continue pulsando e unindo as comunidades de todo o Brasil", observa.
Em Sete Lagoas, a proposta é justamente essa: fazer do espaço cultural um lugar de encontro entre gerações, aproximando crianças, jovens e adultos de uma arte que combina técnica, imaginação e espontaneidade.
O Projeto "Hoje é Dia de Circo" é realizado pela Agentz Produções Culturais, empresa especializada em produção e gestão de projetos culturais e que realiza o Festival Mundial de Circo há 24 anos em Belo Horizonte.
O projeto é realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e tem o patrocínio Master da CEMIG.
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