
Pedro Lourenço de Oliveira começou a construir sua trajetória empresarial muito antes de se tornar conhecido também no futebol. Em maio de 1996, abriu uma pequena mercearia no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Três décadas depois, o negócio se transformou no Supermercados BH, maior varejista de Minas Gerais e nona maior do Brasil, com 420 lojas e faturamento de R$ 25,7 bilhões em 2025.
A expansão da rede acompanha a consolidação de Pedro Lourenço como um dos principais empresários do varejo brasileiro. O empresário também é dono de 90% da SAF do Cruzeiro, adquirida por R$ 600 milhões, e passou a dividir a projeção nacional de seus negócios entre o setor supermercadista e o futebol.
Em 2026, ano em que o Supermercados BH completa 30 anos, a empresa vive uma nova etapa de crescimento. Em abril, assinou um acordo para comprar a DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa Supermercados e Mineirão Atacarejo. Caso a operação seja concluída, a companhia resultante poderá chegar a aproximadamente 600 lojas, com presença em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, e faturamento próximo de R$ 35 bilhões.
Nascido em Paineiras, a 250 quilômetros de Belo Horizonte, em outubro de 1955, Pedro Lourenço é filho de trabalhadores rurais. Estudou até o oitavo ano do ensino fundamental e, aos 18 anos, mudou-se para a capital mineira em busca de trabalho.
O primeiro emprego foi nas Casas da Banha, onde começou descarregando caminhões. Depois, passou pelas áreas de estoque, reposição e vendas. Mais tarde, trabalhou como representante comercial de um atacadista de arroz.
Foi a experiência acumulada no varejo que serviu de base para a abertura da primeira loja do BH, em 1996. No início, Pedro concentrava praticamente todas as funções do negócio: comprava os produtos, atendia no balcão e cuidava das contas.
A estratégia de crescimento veio da aquisição de estabelecimentos em dificuldades na periferia de Belo Horizonte e em pequenas cidades do interior, regiões onde havia menos concorrência e os pontos comerciais custavam menos. O público era principalmente de renda mais baixa, e o modelo de loja apostava em áreas de aproximadamente 1.000 a 2.000 metros quadrados, sortimento enxuto e preços competitivos.
Em 2004, para levantar capital e continuar comprando unidades, Pedro vendeu 40% da operação.
A estratégia ajudou o Supermercados BH a manter um ritmo de expansão que ganhou força nos últimos anos. A receita passou de R$ 17,4 bilhões em 2023 para R$ 21,3 bilhões em 2024 e chegou a R$ 25,7 bilhões em 2025, crescimento de 48% em dois anos.
No último ano, o faturamento avançou 21%, contra uma média de 8,6% entre as 227 empresas do TOP 300 do Varejo Brasileiro com dados comparáveis. Em termos reais, descontada a inflação, o crescimento do BH foi de 4,3%, o menor desde 2021.
Os números colocaram a empresa no topo do varejo mineiro. O BH faturou mais que o dobro do segundo colocado, o Mart Minas, que registrou R$ 12,6 bilhões em 2025.
Segundo o TOP 300 do Varejo Brasileiro, levantamento do Instituto Retail Think Tank (IRTT), divulgado na última semana, o Supermercados BH é a maior varejista de Minas Gerais e a nona maior do país. No ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), específico para o varejo alimentar, a empresa aparece na quarta colocação nacional, atrás de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus.
Para Alberto Serrentino, consultor e sócio do IRTT, o crescimento das grandes empresas não significa necessariamente uma concentração do varejo brasileiro. “Não é correto dizer que o varejo brasileiro está se tornando concentrado. O que temos é um movimento de mais empresas crescendo e atingindo relevância, mas a diversidade regional permanece”, afirma.
Durante boa parte de sua história, o Supermercados BH concentrou sua atuação em Minas Gerais. A mudança começou em julho de 2023, quando a empresa assumiu 34 lojas das bandeiras Epa e Mineirão Atacarejo no Espírito Santo, sendo 21 unidades de varejo e 13 de atacado. As operações foram convertidas para a marca BH.
Em 2025, a expansão ganhou novo ritmo. Em fevereiro, a empresa assinou a compra de todas as operações do Bretas em Minas Gerais, em um negócio de R$ 716 milhões que envolveu 54 supermercados, oito postos de combustíveis, um centro de distribuição e outros ativos.
A integração começou em maio. Em julho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, sem restrições, a transferência de 22 lojas do negócio, distribuídas por dez municípios mineiros.
Uma semana depois do anúncio da compra do Bretas, o grupo também adquiriu o Canguru Supermercados, com três lojas na Serra, no Espírito Santo. A família Dall'Orto Dalvi, proprietária da rede desde 1978, vendeu a operação e manteve os imóveis, que passaram a ser alugados pelo BH.
Com a aquisição, o grupo chegou a 41 lojas em 11 municípios capixabas, incluindo Vitória, Serra e Guarapari.
A possível aquisição da DMA Distribuidora representa o próximo grande movimento de Pedro Lourenço no varejo. A empresa é a quarta maior varejista de Minas Gerais, com faturamento de R$ 8,9 bilhões.
Se o negócio for concluído, a combinação das duas operações deverá resultar em aproximadamente 600 lojas e receita próxima de R$ 34,6 bilhões. O grupo passaria a atuar em quatro estados: Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
A conclusão da operação depende das etapas formais de análise do Cade. O órgão já autorizou uma parcela do negócio, envolvendo 40 lojas, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição. A empresa informou que aguarda as demais etapas.
A sobreposição das operações em Minas Gerais é o principal ponto de atenção da transação. O estado é o terceiro maior mercado supermercadista do Brasil, e as dez maiores redes mineiras movimentaram R$ 80,6 bilhões em 2025.
A expansão do Supermercados BH ajuda a explicar a dimensão que os negócios de Pedro Lourenço alcançaram desde aquela primeira mercearia em Santa Luzia.
Em 2025, a rede mineira já havia chegado a 420 lojas e R$ 25,7 bilhões em vendas. Com a possível aquisição da DMA, poderá se aproximar de 600 unidades e de R$ 35 bilhões em faturamento.
Ao mesmo tempo, Pedro Lourenço consolidou sua presença no futebol ao adquirir 90% da SAF do Cruzeiro por R$ 600 milhões. O empresário passou, assim, a comandar dois negócios de grande visibilidade nacional, construídos em setores diferentes e com histórias que começaram muito antes de sua projeção pública.
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